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Greenpeace intercepta navios baleeiros japoneses no Santuário Antártico

Bióloga brasileira faz parte da tripulação da entidade ambientalista

Oceano Antártico, segunda-feira,
20/12/99, (10h00 de Tóquio, 04h00 GMT) -
Ativistas do Greenpeace utilizaram um bote inflável para interceptar esta manhã a frota baleeira japonesa que está caçando ilegalmente baleias-minke nas águas ao redor da Antártica. A região é reconhecida internacionalmente como um Santuário de Baleias. (1) Os infláveis partiram do navio do Greenpeace M/V Artic Sunrise no início da madrugada desta segunda-feira. Após navegar por duas horas entre dezenas de blocos de gelo, os infláveis interceptaram a frota japonesa enquanto transferiam uma baleia arpoada para dentro do navio-fabrica Nisshin Maru.

“A lei marítima internacional exige claramente que o Japão coopere com as autoridades internacionais pertinentes quando a caça de baleias está em questão”, explica a Coordenadora da Campanha de Ecologia Oceânica do Greenpeace Brasil Cristina Bonfiglioli, que está participando da expedição à Antártica. “Ao ignorar as sucessivas resoluções da Comissão Baleeira Internacional (CBI) pedindo que abandone a caça de baleias no santuário Antártico, o Japão está desrespeitando essa lei internacional.”

A caça de baleias japonesa no Santuário Antártico é parte de um esforço conjunto para a retomada da caça comercial em larga escala em todos os oceanos do mundo. A indústria baleeira já investiu em um novo navio-fábrica, comprado em 1991, e em um novo navio de captura construído especificamente para esse fim em 1998.

Fontes da indústria japonesa confirmaram que uma das razões da pesquisa é treinar novas tripulações para quando a caça for reaberta. A carne de baleia gerada pela “pesquisa” é vendida no mercado varejista [não ao revendedor, mas ao consumidor final], arrecadando cerca de 100 milhões de dólares ao ano.

O Greenpeace esta pedindo a todos os países que intercedam junto ao governo japonês, solicitando a suspensão do programa de caça de baleias na Antártica. Até agora, a Inglaterra, EUA, Austrália e Nova Zelândia já pressionaram o Japão para abandonar seu programa de caça. "Enquanto o Greenpeace faz todo o possível para impedir esta atividade ilegal em alto mar, os governos de todo o mundo precisam agir urgentemente para impedir que o Japão continue a burlar leis internacionais designadas para proteger a vida marinha”, diz Cristina.

A entidade ambientalista lançou recentemente o vídeo “Baleias precisam de proteção” que registra a história da caça às baleias no litoral brasileiro, especialmente na costa do Rio de Janeiro. O Greenpeace também já recolheu cerca de 400 mil assinaturas em apoio à proposta do governo brasileiro de criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul. “Nossa meta agora é chegar a um milhão de assinaturas para serem entregues no próxima reunião da CBI, em Adelaide (Austrália), em junho de 2000, quando a criação do Santuário será votada”, diz Cristina.

Os ativistas no inflável são Frank Kamp (Holanda), Daniel Rizzotti (Argentina), Yasuhiro Ito, (Japão).