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Navio do Greenpeace é abalroado por baleeiro japonês na Antártica

Incidente acontece um dia depois de ação da entidade ambientalista contra a caça ilegal de baleias na região

(Oceano Antártico - 21/12/99)
O navio-fábrica japonês Nishin Maru abalroou hoje a embarcação do Greenpeace Artic Sunrise ao fazer uma manobra perigosa nas águas do Oceano Antártico. O incidente acontece um dia depois que ativistas da entidade ambientalista tentaram impedir a operação de caça ilegal de baleias-minke no Santuário de Baleias da Antártica. A tripulação do Artic Sunrise, que inclui a bióloga brasileira Cristina Bonfiglioli, está bem, mas o navio sofreu pequenos danos que já estão sendo reparados.

"O navio baleeiro japonês se colocou novamente contra a lei", diz Cristina Bonfoglioli, da Campanha de Ecologia Oceânica do Greenpeace Brasil. "O Japão não apenas está desafiando as Leis Marítimas internacionais ao caçar baleias no santuário da Antártica, como agora seus navios fazem manobras ilegais e, no processo, colocam nossas vidas em perigo."

Logo após o incidente desta manhã, o Greenpeace escreveu uma carta de protesto para o Instituto de Pesquisa de Cetáceos (ICR), o órgão japonês responsável pela caça a baleias na Antártica. A entidade ambientalista vai continuar seguindo o Nishin Maru e permanece comprometida em paralisar a caça ilegal de baleias na região.

O Japão pretende caçar 440 baleias-minke este ano nas águas do Santuário Antártico em seu auto-intitulado "Programa de Caça Científica". Na verdade, a carne de baleia produzida a partir das "pesquisas" é largamente vendida nos mercados japoneses. O Japão tem ignorado todos os pedidos da Comissão Baleeira Internacional (CBI) para paralisar a caça de baleias na Antártica. Agindo assim, o país está rompendo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS). 144 países (incluindo o próprio Japão) assinaram um acordo em 1982 se comprometendo a respeitar a convenção.

O Greenpeace esta pedindo a todos os países que intercedam junto ao governo japonês, solicitando a suspensão do programa de caça de baleias na Antártica. Até agora, a Inglaterra, EUA, Austrália e Nova Zelândia já pressionaram o Japão para abandonar seu programa de caça. "Enquanto o Greenpeace faz todo o possível para impedir esta atividade ilegal em alto mar, os governos de todo o mundo precisam agir urgentemente para impedir que o Japão continue a burlar leis internacionais designadas para proteger a vida marinha", diz Cristina.