[Voltar]


Notícias Anteriores


Papai Noel do Greenpeace impede a caça ilegal de baleis no Oceano Antártico

(Oceano Antártico, 23/12/99) -
Papai Noel fez uma visita inesperada à Antártica ontem para impedir um navio baleeiro japonês de continuar com a caca ilegal de baleias na região. Ele dirigiu um inflável que se posicionou na frente do navio de captura Toshin-maru No.25. Os caçadores tiveram de cobrir o arpão e cessar temporariamente suas atividades. A visita do Papai Noel aconteceu no terceiro dia de protestos do Greenpeace contra a caça ilegal de baleias que o Japão realiza numa área internacionalmente reconhecida como Santuário de Baleias.

Anteontem o navio-fabrica japonês Nisshin maru havia abalroado a embarcação do Greenpeace MV Arctic Sunrise nas águas frias e remotas da Antártica. Os danos ao navio da entidade ambientalista já foram reparados e a tripulação esta fora de perigo.

“Ao colocarmos nosso inflável a frente do arpão do navio de captura , conseguimos interromper a caca por mais de quatro horas. E isto significa muitas baleias salvas!”, diz a Coordenadora da Campanha de Ecologia Oceânica do Greenpeace Brasil Cristina Bonfiglioli, única brasileira a bordo do Arctic Sunrise.

O ativista do Greenpeace vestido de Papai Noel tentou entregar a mensagem de Natal do Arctic Sunrise a frota baleeira japonesa. A mensagem continha detalhes sobre como a frota baleeira esta infringindo os artigos 65 e 120 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (a UNCLOS). A Convenção demanda que todos os países signatários cooperem com a Comissão Baleeira Internacional (CBI) que tem insistentemente solicitado ao Japão que pare a caca de baleias no Santuário Antártico.

“Esperamos que o Brasil - que votou a favor da criação do Santuário Antártico, é signatário da UNCLOS e está propondo a criação de outro santuário de baleias no Atlântico Sul (1) - pressione o Japão pelo cancelamento do programa de caça ilegal no Santuário Antártico”, diz Cristina. “É muito importante que países em desenvolvimento, como os da América Latina, mostrem que respeitam e se preocupam com o cumprimento de leis ambientais internacionais. Até agora os governos da Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra e Estados Unidos tomaram medidas diplomáticas leves para pressionar o Japão a abandonar seu programa de caca.”

Este ano, o Japão pretende caçar 440 baleias minke no Santuário Antártico como parte do seu assim chamado “programa de caca cientifica”. Entretanto, a carne produzida por esta atividade ‘cientifica’ e vendida no mercado interno japonês, movimentando cerca de 100 milhões de dólares por ano.

Notas ao Editor:
(1) A proposta de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul encaminhada pelo governo brasileiro deve ser analisada pelo Comitê Científico da CBI na próxima reunião da Comissão, em julho de 2000, em Adelaide, Austrália.

(2) Os ativistas a bordo do inflável do Greenpeace foram: Deb McIntyre (Austrália) e Daniel Rizzotti (Argentina)