| [Acompanhe as ações]
[Central de Mídia] [O
navio e a tripulação] [Estórias sobre a vida a bordo] [Faça Onda!] [Antecendentes] [Greenpeace Internacional] |
|
|
|
A bordo do M/V Arctic Sunrise34° dia - 21 dezembro, 1999"Abalroados!" |
| RP, Zeger, Aaron e David passaram quase o dia inteiro terminando
os reparos no "Grey Whale", e adaptando um pára-brisa improvisado
que possa proteger os integrantes do inflável das mangueiras d'água que
os navios da frota baleeira usam para nos afastar. Tudo certo: temos contato
visual com três navios da frota - dois navios de captura e o navio-fábrica,
o Nisshin Maru - os infláveis estão preparados, as equipes de ativistas
estão a postos (incluindo John C. e Moose, prontos para documentar as ações
do dia). Finalmente lançam tanto o "Grey Whale" como o "Hurricane"
nas águas do Oceano Antártico.
Lá pelas 13h30 os dois infláveis do Greenpeace já estavam bem próximos da popa do Nisshin Maru, posicionando-se logo a frente da rampa pela qual as baleias mortas são içadas para o navio-fábrica. Estão prontos para tentar impedir as operações de caça ilegal de baleias bloqueando a transferência das baleias capturadas para processamento. O Artic Sunrise também está bem próximo do Nisshin Maru. Aparentemente ambos os navios estão em rotas paralelas. Como está esperando receber uma baleia, o Nisshin Maru diminui a velocidade. Há muita gente na ponte: oficiais, campaigners, cientistas. Todos observando atentamente os infláveis e o Nisshin Maru. Então, subitamente, o Nisshin Maru começou a se aproximar do Artic Sunrise a bonbordo. Em questão de segundos, o navio japonês estava quase lado a lado com o Artic Sunrise e aproximando-se cada vez mais (a menos de 25 metros). De acordo com as regras estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (International Maritime
Organization - IMO), obedecida por todos os navios e navegadores, ...qualquer navio que pretenda ultrapassar outro deve manter- se fora da rota do navio que está sendo ultrapassado. (1) Esta é uma lei básica de navegação que qualquer marinheiro conhece, mas parece que o piloto do Nisshin Maru recusou-se a obedecê-la.O Artic Sunrise manteve seu curso - como era obrigado nas circunstâncias vigentes, segundo as regras da IMO. (2) Mas, à medida que o navio-fábrica foi emparelhando-se com o Artic Sunrise, ele iniciou uma alteração de curso a bonbordo, executando uma curva para a esquerda. Isto fez com que o navio japonês se dirigisse lateralmente em direção à nossa proa, ao mesmo tempo em que executava a manobra. Com um alto rangido, o Nisshin Maru rabeou, atingindo o Artic Sunrise na sua parte frontal.
Eram 2:16 da tarde. Os cientistas estavam na parte externa da ponte e se
agarraram à grade de proteção. Nahmee estava tão abismada que não conseguia
se mover e teve de ser segura por Marijke. Os tripulantes do Nisshin Maru
gritavam "Cuidado! Cuidado!", segundo ela - provavelmente nem
eles sabiam o que seu capitão estava fazendo e ficaram tão surpresos e assustados
quanto nós.
Havia ativistas no convés - alguns só desequilibraram-se, outros chegaram
a cair no chão. Na cozinha, canecas quebraram; na sala de rádio e no escritório,
pastas, papéis, mouses de computadores, teclados, tudo saiu do lugar. Colin,
que dormia, tentando se recuperar das horas de vigia, acordou assustado
e viu o casco preto e vermelho do Nisshin Maru afastando-se pela janela.
O Nisshin Maru tem 129.6 metros de comprimento. É mosntruosamente grande
perto do Artic Sunrise.
Assustados, sem entender ainda direito o que tinha acontecido, todos correram
para a proa e à medida que se encontravam perguntavam-se uns aos outros
se estavam bem, se alguém havia se machucado, se havia alguém precisando
de ajuda.
Os infláveis ainda estavam na água. Arne pedia a Frank, Moose e John
C., a bordo de um dos infláveis, que verificassem possíveis avarias. Aaron
desceu por uma abertura na proa para verificar a parte interna do casco.
Eddie, David e todos os demais marinherios a bordo do Sunrise verificaram
o convés a bonbordo.
Considerando a natureza deliberada desta manobra,
sem mencionar o ataque de ontem ao nosso helicóptero com mangueiras d'água,
a conclusao óbvia é a de que o Nisshin Maru deliberadamente abalroou nosso
navio na tentativa de nos intimidar ou incapacitar.
"Eu duvido que o capitão do Nisshin Maru pudesse realmente
pensar sobre as possíveis conseqüências das suas ações," disse Arne
Sorensen, capitão do navio do Greenpeace, o M/V Arctic Sunrise. "Este
comportamento foi completamente irresponsável."
Durante o acidente, Phil, nosso piloto do helicóptero, estava
tomando imagens com sua camera de vídeo portátil. Seu vídeo mostra claramente
o navio fábrica japonês ultrapassando o Arctic Sunrise de um modo arriscado.
Tanto o Nisshin Maru como os catchers afastaram-se do Artic
Sunrise e voltaram às suas atividades ilegais de caça no Santuário Antártico.
Às 2:40 nós conseguimos fazer com que o Nisshin Maru respondesse
às nossas chamadas pelo rádio e, a pedido deles, trouxemos Namhee para a
ponte. Arne pediu a Namhee que repetisse que o Greenpeace é uma organização
pacífica e que não iríamos fazer nada que pudesse machucar ou colocar em
perigo a tripulação dos navios baleeiros. Quando inquirido, o capitão do
Nisshin Maru recusou-se a nos garantir o mesmo (ou seja, que a frota baleeira
também não pretendia nos causar nenhum dano ou nos colocar em perigo).
Hoje, a frota baleeira, que é subsidiada pelo governo japonês,
mostrou que não tem comprometimento com leis de navegação, da mesma maneira
como não respeita a Lei sobre o Direito do Mar, que desobedecem ao caçar
baleias no Santuário Antártico.
Felizmente, ninguém ficou seriamente ferido e os estragos
causados ao Sunrise foram todos acima da
linha d'água. A inspeção dos danos
ainda continua, mas David garante que o casco não foi avariado. Nós não
vimos nenhum dano no Nisshin Maru, exceto, talvez, por algumas pequenas
áreas amassadas. Esperamos que todos estejam bem lá.
Logo após o acidente, Lena desceu à cozinha e 10 minutos mais
tarde anunciou "Pausa para acalmar os nervos com uma boa caneca de
chocolate quente!"
O resto do dia de hoje foi dedicado aos reparos do Sunrise,
especialmente no convés e na grua que coloca os infláveis na água. O acidente
não modificou nossa intenção de não deixar a frota baleeira escapar. Vamos
continuar "na cola" deles. O Arctic Sunrise é um navio forte
com uma tripulação incrível, e o incidente de hoje só fez aumentar a força
para cumprirmos nosso propósito. Você também pode fazer parte dele: Faça
Onda! e participe da nossa campanha para impedir a continuidade da
caça ilegal japonesa no Santuário Antártico.
Notas:
(1) Regra 13, parte
A, da Convenção sobre Regulamentação Internacional para Prevenção de Colisões
no Mar da IMO declara que, Sem contradizer as Regras da parte B,
seções I e II, qualquer navio ultrapassando outro deve manter-se fora
do caminho do navio sendo ultrapassado. (2) Regra 17,
parte A, seção I, declara que, Quando um ou dois navios precisam
sair do caminho, o outro deve manter seu curso e acelerar.
|
||||