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Greenpeace denuncia Japão por caça ilegal de baleias

Navios de caça japoneses partiram hoje para matar baleias na Antártida

(São Paulo, 9/11/99) - O Greenpeace condenou hoje o governo japonês por permitir o reinicio do seu autodenominado programa de "caça científica" a baleias na região do Santuário de Baleias da Antártida. A entidade ambientalista solicitou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil que peça formalmente ao governo do Japão a paralisação imediata de seu programa de caça na Antártida.

A frota baleeira japonesa, que deixou o porto de Shimonoseki hoje pela manhã, é composta por um navio-fábrica, o Nishin Maru, três navios de caça e um navio rastreador. Os baleeiros pretendem caçar 440 baleias Minke na águas da Antártida. O oceano ao redor do continente foi transformado em santuário, em 1994, pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), proibindo qualquer tipo de caça comercial na área.

''É um ultraje que, no limite de um novo milênio, ainda se permita que estes navios de caça executem esta missão infame em completo desrespeito às leis internacionais", diz John Frizell, Coordenador da Campanha de Baleias do Greenpeace Internacional. "Os governos de todo mundo devem deixar claro ao Japão que esta atitude claramente ilegal é inaceitável".

A caça promovida pelo Japão no Oceano Antártico é parte de uma estratégia global para recomeçar a caça em larga escala de baleias em todo o mundo, proibida pela CBI em 1986. A indústria de caça japonesa investiu em um novo navio-fábrica, comprado em 1991. Mais um navio-caça foi construído no ano passado. Fontes no Japão confirmaram que um dos propósitos da "pesquisa" realizada na Antártida é treinar uma nova tripulação para estas embarcações. A venda carne de baleia gerada a partir da "caça científica" movimenta cerca de 100 milhões de dólares a cada ano no mercado japonês.

"Precisamos lutar contra os planos do Japão de retorno da caça comercial a baleias nos oceanos do mundo", diz Cristina Bonfiglioli, Coordenadora da Campanha de Ecologia Oceânica do Greenpeace Brasil. "Para tanto, além de pedir um posição formal do governo brasileiro contra o programa de caça científica japonesa, estamos apoiando a proposta do Brasil apresentada à CBI de se criar um Santuário de Baleias no Atlântico Sul. Desta forma, poderemos restringir cada vez mais a área de atuação dos caçadores de baleias e garantir um lugar tranqüilo para que estes animais possam se reproduzir e viver".

A entidade ambientalista lançou recentemente o vídeo "Baleias precisam de proteção" que registra a história da caça às baleias no litoral brasileiro, especialmente na costa do Rio de Janeiro. O Greenpeace também já recolheu 300 mil assinaturas de apoio à proposta de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul. "Nossa meta agora é chegar a um milhão de assinaturas para serem entregues no próxima reunião da CBI, em Adelaide (Austrália), em junho de 2000, quando a criação do Santuário será votada", diz Cristina.

Mais Informações: Cristina Bonfiglioli, Coordenadora da Campanha de Ecologia Oceânica do Greenpeace Brasil, (11) 3066-1177 ou 9627-9078. Renato Guimarães, Gerente de Comunicação do Greenpeace Brasil, (11) 3066-1178 ou 9900-7796 Internet: www.greenpeace.org.br