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| CAÇA ‘CIENTÍFICA’ DE BALEIAS? “Oficialmente o país [Japão] não caça baleias, mas mata e industrializa cerca de trezentas por ano por motivos científicos, um disfarce tão frágil quanto as fatias de sashimi nas quais uma baleia que foi ‘pesquisada’ se transforma.” — Revista The Economist, 25 de outubro de 1997. Quando o chamado programa japonês de caça ‘científica’ de baleias foi lançado na Antártica, em 1988, a imprensa nacional japonesa divulgou que sua intenção era manter a indústria baleeira funcionando até que um caminho fosse encontrado para reverter a moratória da caça comercial. Desde então, a Comissão Baleeira Internacional (CBI) tem criticado o programa ressaltando que a informação gerada não era necessária para o manejo das baleias e pedindo ao Japão que parasse a pesquisa. Entretanto, o Japão tem continuado com o programa, que se chama JARPA (Programa Japonês para a Pesquisa Científica na Antártica). A caça é gerenciada pelo Instituto de Pesquisa em Cetáceos (ICR). Apesar de se declarar uma entidade sem fins lucrativos, já na sua fundação, o ICR recebeu a doação de 10 milhões de dólares da indústria baleeira e mantém suas atividades através de cerca de 9 milhões de dólares doados anualmente pelo governo japonês, sem contar os recursos advindos da venda de carne de baleia. Em 1994, o Japão começou um segundo programa de ‘pesquisa’ no Pacífico Norte e em 1995 aumentou o número de baleias-minke caçadas na Antártica, de 330, para 440 por ano. A chamada caça ‘científica’ na Antártica é supostamente planejada para fornecer dados para o controle populacional de baleias, estudando aspectos como a idade relativa da população. O único propósito desses dados é o fornecimento de quotas para a indústria comercial. Dois anos após a fundação do JARPA, a CBI adotou um moderno grupo de regras para o manejo das populações de baleias que não necessita do tipo de dados produzidos pela caça ‘científica’. Os cientistas da CBI, reunidos para revisar o programa japonês após oito anos de sua vigência, concordaram unanimemente que os dados fornecidos pelo JARPA “não eram necessários para o manejo” de populações de baleias. Entre estes cientistas havia até mesmo japoneses. De qualquer modo, em 1994 a CBI estabeleceu um Santuário de Baleias em todo o Oceano Antártico de forma a proibir a caça de baleias para fins comerciais, independentemente do estado das populações de cetáceos na região. Assim, mesmo que o programa japonês pudesse fornecer dados úteis, eles não seriam mais necessários com a criação do santuário. A caça ‘científica’ japonesa claramente não produz informações que sejam necessárias ou mesmo úteis. O único produto importante é a carne de baleia e, nesse ramo, o JARPA é realmente um sucesso. Todos os anos, o navio-fábrica chega da Antártica com cerca de 2 mil toneladas de carne de baleia a bordo. Essa carne alimenta o sistema de distribuição comercial. A folha de balanço do ICR não acusa lucro, mas os vendedores e distribuidores da carne não precisam obedecer ao princípio da não-lucratividade. E de fato, em 1997, técnicos do ICR anunciaram que a captura na Antártica daquele ano - 1.995 toneladas - seria vendida por 3,5 bilhões de ienes (cerca de 33 milhões de dólares na cotação vigente na época) e que o preço no varejo poderia ser três vezes mais alto. Dessa forma, um rendimento adicional de mais de 60 milhões de dólares seria gerado na rede de distribuição. O próprio ICR é um negócio de bom tamanho: a folha de balanço de 1996/97 mostra um rendimento de 6,8 milhões de ienes (cerca de 64 milhões de dólares) e despesas com relações públicas, assim como com a caça de baleias. |
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